"O tom velado e melancólico da cantiga parecia gemido sufocado de uma alma solitária e sofredora. (...) As coplas que cantava diziam assim:
Desd'o berço respirando
Os ares da escravidão,
Como semente lançada
Em terra de maldição,
A vida passo chorando
Minha triste condição.
Os meus braços estão presos,
A ninguém posso abraçar,
Nem meus lábios, nem meus olhos
Não podem de amor falar;
Deu-me Deus um coração
Somente para penar.
Ao ar livre das campinas
Seu perfume exala a flor;
Canta a aura em liberdade
Do bosque o alado cantor;
Só para a pobre cativa
Não há canções nem amor.
Cala-te, pobre cativa;
Teus queixumes crimes são;
É uma afronta este teu canto,
Que exprime tua aflição.
A vida não te pertence,
Não é teu teu coração."
(GUIMARÃES, B. A escrava Isaura. São Paulo: Ática, 1988.)
É a canção que Isaura canta no capítulo I do livro. Por que será que se parece tanto comigo?